16 de agosto de 2018

“O que eu posso fazer para ser melhor?”

Além desta ser uma das perguntas que me faço com maior frequência, ela é também a mais comum entre os participantes do curso de branding em que dou aula.

O texto a seguir é a minha resposta. Uma pequena lista de hábitos e dicas práticas que adotei ao longo dos anos, que observei nos profissionais que admiro e que acredito que podem ser úteis para outras pessoas também.

1. Alimente seu repertório constantemente

Este é o primeiro item porque é o mais importante. Não tem jeito. Como estrategista, a qualidade do seu trabalho depende da qualidade do seu repertório.

Pense nele como a sua coleção de conhecimentos, assuntos, referências e experiências de vida. Seu repertório é o tamanho do seu mundo, é o que te torna interessante, valioso e te ajuda a não ser mais um na multidão.

Por isto, mantenha-se curioso e em constante construção.

Estude os clássicos

Conheça os fundamentos e os novos pontos de vista sobre branding e estratégia, eles vão ser a base da sua formação. Não se deixe intimidar pela quantidade gigante de opções. Faça uma lista e a percorra aos poucos.

Diversifique

Não adianta ser CDF em branding, mas não saber como esta disciplina se relaciona com outros universos e na vida real. Acompanhe com atenção outros temas, principalmente os que influenciam negócio, cultura e comportamento.

Nem tudo é estudo também

Somos feitos de todas as coisas que absorvemos e que nos moldaram ao longo dos anos. Tudo vale! Afinal, ideias podem vir de qualquer lugar. Já usei até cena de Friends como inspiração para o conceito de uma marca.

Prepare seu feed para que conteúdo relevante chegue até você

Twitter, Medium, Podcasts, Instagram, newsletters, YouTube etc. Descubra a combinação que funciona melhor para você. Edite com frequência para se livrar de poluição e descobrir outras fontes.

Salve para depois tudo que interessar, mas que não pode ler no momento

A maioria das plataformas tem a ferramenta de “salvar para depois”. Assim, as coisas que nos interessam não se perdem neste mundão da internet. O Pocket é uma boa alternativa para centralizar tudo em um lugar só.

Escolha um momento do dia, ou pelo menos da semana, para aprender

Entenda o que funcionam bem na sua rotina e faça disso um ritual prazeroso. Por exemplo, adoro começar o dia com algumas leituras rápidas, escutar podcasts enquanto me arrumo ou caminho ou ler em um café aos finais de semana.

Crie pequenas metas

Para escapar da armadilha da Netflix ou dos scrolls infinitos no celular, combinei comigo mesma que preciso ler por dia 5 páginas do meu livro da vez. Faça os seus combinados também. A sensação de cumprir um compromisso com você é sempre ótima.

2. DOMINE METODOLOGIAS E FRAMEWORKS

O trabalho (e, portanto, nosso dia a dia) fica muito mais fácil quando podemos nos apoiar em um processo claro, com método e frameworks.

É quase como viajar seguindo um roteiro. Você sabe o que fazer e o passo a passo que deve seguir, mas está livre para aproveitar como quiser. Dez pessoas podem usar o mesmo roteiro de viagem, mas cada uma vai chegar no final dela com um resultado único.

Aprenda diferentes metodologias e frameworks

Além de livros e cursos, a internet nos dá acesso a uma infinidade deles. Experimente e colecione.

Não vire refém da teoria

Metodologias e frameworks existem para nos servir. Se você perceber que algo não está funcionando bem, faça as adaptações necessárias.

Experimente criar seus próprios frameworks

É um exercício desafiador mas muito estimulante.

Lembre-se que papel e Power Point cumprem funções muito diferentes

Não crie slides se o seu raciocínio ainda não estiver claro. Faça primeiro um roteiro com papel e caneta, e só então confeccione os slides. Se estiver trabalhando em grupo, não gaste tempo produzindo apresentações. Faça sessões de trabalho esquematizando a discussão no papel ou na lousa.

3. Crie uma central de conteúdo com as referências e ferramentas que você gosta e a mantenha atualizada

Ao longo do tempo, acumulamos uma infinidade de referências e conteúdo que tendem a ficar esquecidos, espalhados ou perdidos. Um desperdício de tempo e de inteligência.

Centralize tudo o que criar e usar no trabalho em um só lugar

Assim você nunca vai precisar confiar na memória ou perder tempo buscando coisas em arquivos soltos. Existem muitas ferramentas que podem ajudar com isto. Recomendo o Dropmark. Lá tenho pastinhas para todo tipo de utilidade, que facilitam e agilizam muito o dia a dia.

Compile o conteúdo que você mesmo criar

Considere isto um investimento. Aos poucos este conteúdo vai crescendo e você vai lapidando seu próprio ponto de vista e narrativa sobre estratégia e branding. Este conhecimento pode ser transformado em artigos, palestras, aulas, cursos etc.

4. Cultive uma comunidade

Além da cumplicidade de ter por perto pessoas que entendem seus desafios tão bem quanto você, pertencer a uma comunidade incentiva a troca de aprendizado e acelera nosso crescimento.

O mesmo vale para qualquer outro tipo de relacionamento profissional. Durante muito tempo a ideia de “fazer network” me incomodava. Me parecia forçado e por vezes até interesseiro.

Quando entendi que precisava apenas cultivar relacionamentos e que poderia fazer do meu jeito, fiquei em paz. Comecei a gostar de fortalecer minhas conexões profissionais. Afinal, estas conexões se tornam amizades, projetos, oportunidades, mentores, pupilos, clientes. Somos todos pessoas e com interesses em comum, por que não nos aproximarmos para compartilhar nossas experiências, dúvidas e descobertas?

Contato para ensinar e aprender

Procure se aproximar e manter contato com pessoas que fazem o mesmo que você, das que fazem o que você gostaria de fazer no futuro e também das que querem fazer o que você já faz. Clichê, mas todos realmente têm algo para ensinar e para aprender.

Participe de grupos e coletivos

Além do Brand Sessions (comunidade que eu e a Julia Resende estamos começando no Medium e no Slack), existem outros grupos de branding, planejamento e afins no Facebook e LinkedIn.

5. Compartilhe conteúdo

Aos tímidos ou avessos a aparecer, acho importante reforçar que compartilhar conteúdo é simplesmente uma forma de participar da conversa.

Pode ser tão simples quanto recomendar para seus colegas os links e leituras recentes que achou interessante ou pode ser tão estruturado quanto escrever posts, artigos ou manter uma newsletter. Todos são válidos, depende do seu perfil.

Ter este hábito nos ajuda a organizar, aprofundar, refinar e articular melhor nossos pensamentos e argumentos. Uma habilidade fundamental em estrategistas. É um jeito ótimo de criar oportunidades para você mesmo, já que o conteúdo faz as pessoas lembrarem mais de você e a te associarem a um certo tipo de conhecimento. Outros dia escutei em um podcast que adoro, uma pessoa dizer: “Hoje em dia somos todos plataformas. Não importa mais quem você conhece, mas sim quem conhece você”. Tudo verdade.

Sem contar que este é o hábito que vai te ajudar a praticar todos os itens acima. Ou seja, “it’s all kinds of wonderful”.

E você, qual outro hábito ou dica adicionaria aqui?