14 de Março de 2017

Imagine uma máquina que pode rir e chorar, aprender e ensinar, ou conversar com você de maneira natural como se fosse uma pessoa.

Imagine um computador que te percebe, reage aos estímulos e que consegue estabelecer com você uma verdadeira conexão. Ficção científica? Não. Realidade.

O engenheiro de Inteligência Artificial, Mark Sagar, apresentou ontem na palestra “Giving a face to artificial intelligence”, aqui no SXSW, uma novidade que impressionou a todos que lotavam o grande salão do Marriot: avatares iguais aos humanos, emocionalmente responsivos.

São modelos computacionais “vivos”, com rosto e com cérebro, que combinam tecnologias multidisciplinares: Bioengenharia, Neurociência Computacional e Teórica, Inteligência Artificial e Pesquisa em Computação Gráfica Interativa.

No lugar de uma simples tela de um dispositivo, vemos uma pessoa: um bebê (também conhecido com BabyX), mulheres e homens das mais variadas etnias e idades, cada um mais perfeito que o outro, com rosto e cérebro. São protótipos virtuais animados e interativos que foram criados para gerar identificação com as pessoas e enriquecer a experiência do usuário.

Considerando que as experiências mais significativas da vida são aquelas que acontecem cara a cara, nada mais certo do que explorar esse poder na interação homem-computador.

Mark deu rosto e encarnação virtual para a inteligência artificial. Os processos cerebrais que dão origem ao comportamento e aprendizagem social foram modelados e usados para animar modelos realistas de rostos que podem, de fato, interagir. Os modelos computacionais ganham vida através de avançada computação gráfica 3D, capaz de retratar com precisão cada músculo do rosto e garantir as mais variadas expressões faciais.

O sistema analisa as entradas de vídeo e áudio em tempo real para reagir ao comportamento de quem está interagindo com a máquina. Se você já fica encantado com a Siri, a assistente virtual comandada por voz da Apple, imagina o quanto você vai se encantar com esses avatares! Eu diria que é uma Siri com rosto, comandada por áudio e vídeo.

Esses agentes virtuais emocionalmente inteligentes, assim como os humanos, aprendem através da interação. Nossa experiência de mundo depende das nossas ações, percepções, emoções e memórias. Os avatares têm sistemas neurais básicos envolvidos no comportamento interativo e na aprendizagem. Incrível, né? Eu adorei! Na minha opinião, essa inovação vai mudar definitivamente a maneira como nos relacionamos com a tecnologia.

Uma curiosidade é que Mark ganhou duas vezes o Oscar (Scientific and Engineering Award) pelos efeitos visuais dos filmes “Avatar” e “King Kong”, e também trabalhou em “Spider-Man 2”. Foi aí que eu entendi porque essas criaturas digitais convencem tanto. A diferença é que, na ficção, as criaturas servem para narrar o embate entre o homem e civilizações desconhecidas, com resultados catastróficos. Na vida real, elas servem para estabelecer uma relação ainda desconhecida entre o homem e a máquina, com resultados transformadores. Bem-vindos ao próximo passo da interação humana e digital.

 

Este artigo foi publicado originalmente pelo Meio & Mensagem.