25 de março de 2019

Seria o uso de AI e suas infinitas possibilidades uma espécie de “anabolizante” criativo para escritores e roteiristas?

É fato. Todos os segmentos da indústria estão querendo pegar carona nas possibilidades da Inteligência Artificial. No final de 2018, tivemos uma pintura feita por AI sendo vendida na Christie’s por US$ 432.000,00, lembra? Uma tendência sem volta, não há dúvidas. Mas uma das aplicações que mais me interessa e que consegui ver um pouco aqui no SXSW é o uso da Inteligência Artificial na criação de conteúdo.

Estive num painel chamado “AI and the Future of Storytelling”, onde um dos palestrantes presentes era o Sr. Staff Research Scientist do Google, Douglas Eck. Em um dos slides, ele mostrou um parágrafo inicial de uma história, escrito por um ser humano. Depois, em outro slide, mostrou outros três parágrafos, escritos puramente por AI. Uma história criada por AI, a partir de uma “célula tronco” humana – apenas um parágrafo.

Segundo Eck, a história ainda continha algumas inconsistências, mas deixou a provocação no ar sobre as possibilidades (ou seriam avenidas?) que se abrem. Seria o uso de AI e suas infinitas possibilidades uma espécie de “anabolizante” criativo para escritores e roteiristas? Seria menos legítimo a criação de universos inteiros, gerados por AI e não por humanos? Ou seria essa a nova dupla do futuro, roteirista e AI?

Confesso que várias interrogações surgiram na minha cabeça e, é exatamente esse o grande barato de estar aqui no SXSW. Um lugar que provoca e tira a gente da caixinha. Na minha opinião, não devemos negar a tecnologia. Mas sim usá-la para abrir novas possibilidades.

Afinal, a Inteligência Artificial ainda não sabe o que é ter sentimentos, ainda não toma uma cerveja no bar com amigos, ainda não sabe o que é ter um filho, ainda não tomou um pé na bunda. Quando o assunto é criatividade e o poder de contar histórias, ainda somos imbatíveis. Ainda.

Publicado originalmente no Meio&Mensagem