8 de abril de 2019

Expansão da jornada digital revisita conceitos de forma e utilidade para logos e campanhas

O início dessa semana marcou o centenário da fundação da Bauhaus – escola de arquitetura e design que revolucionou a estética ocidental do século XX. Além criar o arcabouço teórico e metodológico para a construção de grandes obras públicas, a herança da instituição é vista ainda hoje na publicidade mundial.

Os fundadores da escola difundiam a crença na função de objetos e prédios, e não somente no prazer estético que eles poderiam criar. No campo do design, foram os responsáveis pela difusão da tipografia sem serifa no alfabeto latino, fenômeno já era observado no alfabeto cirílico.

Entretanto, ascensão do nazismo na Alemanha causou uma abrupta interrupção da escola. Seu campo de influência, por outro lado, levou à criação de movimentos durante todo o resto do século. Max Bill, ex-aluno da Bauhaus, se uniu a Otl Aicher para a criação da Ulm School of Design. Olt foi o responsável pela repaginação do logo da Lufthansa, com forte tendência do movimento.

“Esse é o designer que introduz a helvética em projetos de design. Depois que o projeto da Lufthansa acontece é que a Coca-Cola começa a usar a helvética em seus anúncios”, afirma Saulo Mileti, diretor de criação da Publicis.

No Brasil, a influência da escola chegou por duas frentes: a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e a Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi).

Para a publicidade, os reflexos da escola voltaram principalmente com a expansão de smartphones e de computadores na jornada do consumidor. “A influência da Bauhaus no mundo digital se confunde com o próprio meio. Se pararmos para pensar, os princípios do design digital, assim como os de desenvolvimento de produtos e serviços hoje em dia, são muito parecidos com os da escola modernista. Por exemplo, o celular que você tem na mão”, afirma Luciana Haguiara, diretora de criação digital da AlmapBBDO.

Já o design de logos, por sua vez, busca cada vez mais formações geométricas e minimalistas. “Premissas como clareza, pureza de formas e síntese têm influenciado a maior parte das revitalizações de marcas, sobretudo a partir de 2010. O crescimento das redes sociais e a multiplicidade de mídias nas quais estas marcas têm que performar, exige com que sejam cada vez mais claras, tanto no sentido quanto na forma. Aí, é natural voltar para uma certa pureza geométrica”, afirma Danilo Cid, sócio-diretor da Ana Couto. “Um exemplo desta influência pode ser a última revitalização da marca Uber, mais essencial, sintética, clara e geométrica”, complementa.

Danilo destaca, ainda, a importância do estudo do legado da Bauhaus para profissionais que entram no mercado de trabalho. “Parte da performance criativa de um Design vem de seu repertório, e a base de qualquer repertório é a história. Entender de onde viemos como designers, qual era o contexto, as premissas, as tendências, os projetos, entre outros, é fundamental para o desenvolvimento de qualquer profissional da área”, finaliza.

Para quem se interessa sobre o movimento, o centenário representa uma boa oportunidade de se aprofundar no assunto. O Brasil faz parte de um ciclo de exposições para o centenário, que inclui ativações no espaço do Sesc Pompeia, projetado por Lina Bo Bardi. Na Alemanha, por sua vez, há diversas ações sobre o tema, inclusive o museu que mantém o arquivo da Bauhaus.

Publicado originalmente no Meio&Mensagem, em 5 de abril de 2019