14 de março de 2015

SEJA ÚTIL, EMOCIONAL E REPLETO DE SIGNIFICADO. DESDE QUE SEJA RÁPIDO!

E lá se foi o primeiro dia de Festival. Entre longas caminhadas pelo centro de Austin, intercalaram-se palestras sobre Neurociência, Wearables, Gaming, Brand Content, UX Design e muito mais. A distância entre os vários prédios onde cada palestra acontece pode levar até meia hora, desafiando o planejamento de alguns.

Dificuldades à parte, o evento é um sucesso e um poço de inspiração criativa. A nata dos gurus e inovadores que utilizam a tecnologia para o bem das pessoas e das Marcas vem para Austin trazer o que há de mais novo sobre cada tema.

Das sessões que consegui participar hoje, faço a reflexão de que o mundo está cada vez mais cheio, barulhento e confuso. A quantidade de estímulos a que as pessoas estão sujeitas diariamente faz com que um déficit de atenção natural ocorra pelo excesso de interrupções que sofremos pelo celular: aviso de e-mail, WhatsApp, mensagem do Face, Twitter, curtida do Instagram, por dizer pouco.

Isso tudo faz com que as Marcas passem a lidar com o desafio adicional de simplificar a mensagem e buscar formas sensoriais de aumentar a sua percepção – já que a atenção está escassa. Ou seja, quanto mais avança a adoção tecnológica, maior a necessidade de um território de Marca forte e consistente que facilite a conexão com algo que já é familiar.

Outro assunto de relevância por aqui foi o Wearable-tech. Muitas Marcas querem fazer a próxima Nike Fuel Band ou o próximo Apple Watch. Mas a pergunta que fica é: Por que querem fazer isso? Faz sentido para a sua Marca?

Foi muito bom ouvir de excelentes palestrantes que não é toda Marca que pode oferecer algo. Antes, a Marca precisa olhar pra si mesma e definir qual o seu propósito, qual a sua razão de existir (Branding na veia num papo sobre tecnologia!). É só a partir disso que, então, as Marcas devem pensar na utilidade que a tecnologia traz para as pessoas, solucionando um problema real e, por último, conectar-se ao território da emoção, incorporando a beleza e o design: ou seja, elas devem tornar a tecnologia algo desejável e não algo que te deixe com cara de nerd ou geek. Deu pra perceber como as startups e empresas de tecnologia que estão lançando produtos de Wearable-tech este ano caminham mais na direção do fashion-design. Acredito que veremos essa aproximação de posicionamento entre tecnologia e moda, principalmente depois do lançamento do Apple Watch.

Como reflexão final, as disciplinas se fundem cada vez mais e as divisões internas de Marcas e agências também passam a ser desafiadas. As Marcas estão descendo do território de promessas e buscando maneiras de serem efetivamente úteis por meio da tecnologia. Buscam ampliar sua oferta de valor via um ecossistema de valor. Daqui a 5 anos todo mundo vai ser também uma empresa de internet e tecnologia. É a internet das coisas chegando com tudo. E se sua equipe, seu chefe, seu mindset, sua atitude e a cultura do lugar onde você trabalha ainda não estão preparados para isso, é melhor estarem.

Amanhã tem mais.

* LEO SENRA É NOSSO DIRETOR DE ESTRATÉGIA E DE DIGITAL. SEMPRE COM UM OLHAR DIRECIONADO AO BRANDING, ENRIQUECE NOSSO DIA A DIA COM INFORMAÇÕES E PONTOS DE VISTA DIRETO DO SXSW INTERACTIVE 2015 PARA CONSTRUIR INSPIRAÇÕES.