16 de Março de 2015

TALVEZ AINDA NÃO SAIBA, MAS SUA MARCA EM BREVE SERÁ UMA STARTUP DE TECNOLOGIA

O que define uma startup de tecnologia? Seu tamanho? Ter menos de cinco pessoas trabalhando? Ter um CEO com espinhas e blusa de moletom? Ou obrigatoriamente ter seu escritório numa garagem? Então, nada disso.

1 – INCERTEZA
O que mais define uma startup é o seu alto grau de incerteza quanto ao futuro. Na coluna de ontem, citei o que aconteceu com a Blockbuster em apenas dois anos. Todas as Marcas já vivem ou irão viver uma crescente incerteza sobre si mesmas. Pensar nisso só reforça a importância de preparar a estratégia da sua Marca para que, bem mais do que estar preparada, ela seja líder e agente de mudança dentro da categoria.

2 – TIME MULTIDISCIPLINAR
Um designer, um programador, um estrategista, um gerente de projeto e um CEO. Podemos considerar que esses são os papéis (muitas vezes com uma pessoa desempenhando mais de uma função) que encontraremos na maioria das startups. Assim como em uma banda, numa startup cada um desempenha a atividade que tem mais intimidade, mas sempre em total harmonia e sincronismo com os demais. Uma startup não tem tempo (nem recurso) pra desprender energia com jogos de poder e política interna. O foco na entrega faz com que os grandes males do corporativismo e burocracia não existam e que, por causa disso, todos trabalhem e tenham melhor desempenho.

3 – CULTURA DE TRABALHO AGILE
Planejar, desenhar, desenvolver e entregar. Parece lindo, mas não funciona num mundo rápido, caótico e digital como o nosso. Se você nunca leu nada sobre Agile, Scrum ou Sprints de Design, leia! Essas metodologias levam em conta a priorização de atividades e o foco no que precisa acontecer hoje. Em uma reunião de dez minutos, que deve ser feita em pé (sim, de pé, pra ser rápida, focada e direto ao ponto), o Scrum-master (nome do gerente de projeto da metodologia Agile) fala sobre o objetivo global do projeto, onde estamos e o que cada um precisa fazer até o fim do dia. Assim, todos precisam ser produtivos, focar no resultado e partir pra entrega.

4 – RÁPIDO E SEMPRE BETA
Infelizmente, acompanhamos todos os anos pelo menos um caso de alguma Marca que demorou tanto para lançar um projeto que ele já nasceu morto. É preciso desenvolver uma cultura interna de velocidade. E isso quer dizer que é permitido lançar algo ainda na fase Beta. Isso não tem problema. O que tem problema é não deixar claro que aquilo é Beta e, assim, danificar a imagem da Marca por qualquer problema que possa acontecer.

5 – USER-STORIES
Toda priorização do desenvolvimento é feita com base em User-Stories, que são nada mais do que relatórios de reclamação ou pesquisas e entrevistas em profundidade com clientes reais ou potenciais depois que eles experimentam o produto ou serviço. Ao se colocar a verdade do consumidor no centro de tudo, startups têm maior assertividade em seus lançamentos e, naturalmente, ganham mais relevância. Parece óbvio, mas tem muita gente grande que não faz.

6 – AUMENTE O VALOR, JOGUE FORA O DESPERDÍCIO
Qual o real valor que sua Marca entrega em seus produtos e serviços? A partir da descoberta ou confirmação desse valor, como é possível reescrever a jornada do cliente para aumentar o valor entregue e diminuir qualquer etapa que não agregue valor ao cliente final (na ótica dele)?

7 – APRENDIZADO E ADAPTAÇÃO
Aprenda rápido com os erros, adapte, evolua e compartilhe com o time interno. Não adianta ser uma organização focada em resultados se não existe espaço para o aprendizado.

Será mesmo que isso tudo faz sentido para as Marcas? Vamos à Nike, a Marca de materiais esportivos mais valiosa do mundo. Sua essência: “Se você tem um corpo, você é um atleta.”. E a Nike desenvolveu, ao longo dos últimos dez anos, todo um ecossistema de serviços de tecnologia para ampliar a entrega da Marca de forma real. Tanto o aplicativo Nike+ de corrida quanto a pulseirinha Fuel-Band são bons exemplos de tudo o que estamos falando. A Nike, enquanto Marca, entendeu que independentemente da tecnologia disponível ou do produto que ela vende, é por meio do seu propósito que todo valor deve ser gerado. A propósito, eles ainda vendem tênis.

* LEO SENRA É NOSSO DIRETOR DE ESTRATÉGIA E DE DIGITAL. SEMPRE COM UM OLHAR DIRECIONADO AO BRANDING, ENRIQUECE NOSSO DIA A DIA COM INFORMAÇÕES E PONTOS DE VISTA DIRETO DO SXSW INTERACTIVE 2015 PARA CONSTRUIR INSPIRAÇÕES.