10 de julho de 2012

Escolha.

O que faz um colaborador escolher trabalhar na minha empresa?

Cargo? Salário? Benefícios? Será que isso é suficiente?

Atualmente, o número de pessoas qualificadas é menor do que a oferta de empresas. Temos mais vagas do que talentos para preenchê-las.

O poder está nas mãos das pessoas.

É nesta hora que empresas com um trabalho de Branding bem estruturado, e por consequência, com uma cultura corporativa forte, são as que atraem e retêm mais talentos.

Num mundo com excesso de informações, triunfo da transparência, e gerações que têm nome (X, Y, Z), como se preparar?

A empresa americana Zappos parece ter algumas respostas.  A Marca, que vende sapatos e entrega muito mais do que produtos, foi comprada pela Amazon e se tornou referência neste assunto, devido a seus métodos inovadores em gestão de pessoas. A cultura corporativa da Zappos, ao contrário de tantas outras empresas, é vivenciada diariamente por seus colaboradores, que se sentem extremamente engajados e são apaixonados pela Marca. Isso fica evidente desde o processo seletivo, que considera a identificação dos candidatos com a Essência e os valores da empresa como fator decisivo para a contratação. Para garantir que isso aconteça, a Zappos oferece aos novatos US$ 2.000,00 para deixarem a empresa no primeiro dia de trabalho, mas os novos colaboradores já estão tão entusiasmados com o que está sendo construído lá dentro que rejeitam o dinheiro. E fazem isso porque sabem que encontraram nessa empresa muito mais que um bom emprego.

Para reflexão:

Está claro para a sociedade qual é o propósito da sua Marca? Qual é o legado que ela quer deixar para o mundo?

Seus colaboradores sabem qual é a Essência da sua Marca? O que faz o coração dela pulsar e leva seus funcionários e demais envolvidos a pulsarem no mesmo ritmo?

Se as respostas não estão na ponta da língua, está na hora de revisitar a rota. Estamos na Era da Escolha. E, nesta Era, somente a comunicação externa não basta. Temos que falar e fazer.

Um bom exemplo desta ideia é a Clínica Mayo, criada em 1863, em uma pequena cidade dos Estados Unidos, e que hoje oferece cuidados médicos a milhões de pessoas em suas três unidades mundialmente famosas.

Fundada pelo Dr. William Worrall Mayo, a clínica sempre teve como valor principal “colocar as necessidades dos pacientes em primeiro lugar”. Nasceu com essa premissa, pois era assim que seu fundador e líder acreditava que a medicina deveria funcionar, e como ensinou seus filhos e sucessores na clínica a enxergarem o melhor caminho para a cura.

Assim como o Dr. Mayo compartilhou a lição valiosa com sua família e colegas, inúmeros outros médicos, enfermeiros e funcionários fazem o mesmo até hoje.

Milhões de pacientes e seus familiares podem contar histórias emocionantes as quais confirmam que na Clínica Mayo as necessidades dos pacientes realmente vêm em primeiro lugar.  Desde o cuidado em utilizar uma linguagem simples, para que os pacientes entendam detalhes específicos de seus tratamentos, até a realização de um casamento lá dentro, para que a mãe da noiva, em tratamento na clínica, possa participar do dia especial.

Outras milhares de pessoas que trabalharam ou trabalham lá podem reforçar que a Essência e os valores da clínica deram mais sentido ao seu trabalho e trouxeram um significado profundo às suas atividades diárias. O resultado está evidente na excelência do trabalho e na união da equipe, que há 148 anos constrói com a propaganda espontânea e de boca em boca a força dessa Marca.

Na Era da Escolha, com certeza, têm mais poder e influência sobre as pessoas as Marcas com uma proposta de valor clara. E com seus colaboradores totalmente inseridos nela.

Segundo o livro “Lições de Gestão da Clínica Mayo”, quando um valor se torna parte do DNA de um colaborador, não apenas ele passa a guiar o modo como é realizado o trabalho cotidiano, como também confere aos funcionários poder e autoridade moral para agir em situações singulares. Eles invocam por conta própria uma autoridade baseada em valores.

É neste contexto que as lideranças têm um papel fundamental. Perpetuar a Essência de Marca de uma empresa começa no líder. E o que faz um bom líder? Cada vez mais vejo líderes esquizofrênicos. A competição, a ganância, a busca incessante por resultados financeiros faz com que os líderes deixem de lado a Essência da Marca. É a eterna briga entre o curto e o longo prazo. Bons líderes inspiram as pessoas a cumprirem seus resultados. Eles se colocam no lugar do outro. Eles têm consciência do impacto de suas atitudes. Muitas vezes, vejo que há uma dissonância entre o discurso e a prática. O investimento nas pessoas tem que ser verdadeiro. Para se perpetuar a Essência de uma empresa, não basta fazer um trabalho de Branding, colocá-lo nos Guias de Marca e treinar a equipe. O discurso e a prática precisam ser verdadeiros. A liderança plena vem da escolha. Da escolha de ser um líder construtivo, que aceita as diferenças, que está conectado ao mundo real e sabe fazer a diferença para o mundo, tanto dentro como fora da empresa em que trabalha.

Hoje em dia, não adianta somente ter uma excelente percepção de Marca no mercado. Vejo as empresas gastando milhões na comunicação externa e investindo muito pouco na comunicação interna.

É fundamental entender que a cultura corporativa faz a diferença na hora de reter talentos. É nesta hora que a escolha fica fácil, pois existe uma conexão verdadeira entre o discurso e a prática.

Faça sua escolha.