11 de maio de 2020

uma abordagem global para o tema da reputação e da relevância no contexto

A Ambev e o Rio2C se uniram para provocar, mapear e impulsionar a criatividade brasileira, convidando mentes brilhantes – pensadores, criativos e executivos – para reimaginar o futuro. Na última terça-feira (5 de maio), a Ana Couto foi convidada a participar do ambev CREATIVEX, uma plataforma para entender tendências, reformatar conceitos, praticar inovação e experienciar criatividade. Resumimos os principais pontos desse painel do Rio2C@Live para você conferir:

O conceito e a importância da reputação

Pela definição de Gloria Origgi, que tem um livro publicado sobre o tema, a reputação é a pele social, uma nuvem de opiniões que, apesar de nos afetar diretamente, não está sob o nosso controle. Com a abundância de informações e a diversidade de narrativas que ocupam os ambientes hoje, precisamos inspirar confiança, demonstrar autenticidade nas nossas ações, ser percebidos a partir de uma boa reputação.
No contexto atual, o tema da reputação não pode ser pensado sem falar na comunidade científica, cujo parecer conquistou o protagonismo. Para os leigos, a desconfiança e a desorientação ganham força pela falta de informações acessíveis e de credibilidade. Gloria mencionou os setores de ciência e pesquisa como focos para os investimentos, com a retomada dessa relevância para o contexto.

Infodemia* e construção de valor

O modo como nos relacionamos com as informações vem mudando significativamente frente ao cenário de pouca credibilidade e de crise da comunicação. André Velozzo fez reflexões sobre as distinções entre um mundo guiado por dados e um mundo guiado por valores. Segundo o especialista em ciência de dados, pela perspectiva da tecnologia, informações são apenas dados a serem fragmentados, especializados, combinados e trocados. Já pelo lado humano, as informações ganham significado pela finitude da vida, pelas relações de confiança que somos capazes de criar e manter.

Para André, precisamos migrar de modelo. Atualmente, vendemos aplicações, força de trabalho, processamento e espaço para dados, mas não temos a verdadeira percepção do que isso tudo significa, de para onde estamos indo conforme as informações que processamos todos os dias. Como indivíduos, sentimos e medimos o mundo a partir de nossos sentidos, mas, como coletivo e sociedade, fazemos isso através das indústrias. Por isso, temos a responsabilidade de responder à sociedade a partir da percepção do real impacto daquilo que estamos construindo enquanto futuro.

Uma nova era para a tecnologia ou para a humanidade?

Há uma longa distância entre manipular comportamentos e mudar de mentalidade. A confiança não é algo que monetizamos a partir da tecnologia. Para além da questão da comunicação e das informações, estão as nossas ações ocupando os ambientes digitais e o cenário atual. Carla Crippa falou sobre as responsabilidades corporativas traduzidas em ações que priorizam não apenas a saúde e a segurança das pessoas, mas que impactam positivamente nossos ecossistemas e parceiros, colocam nossas capacidades, expertises e tempo de dedicação a serviço das necessidades da humanidade nesse momento de virada.
Para ela, a ética e o compromisso social são, pela primeira vez na história, os principais indicadores de reputação. Não mais os serviços e produtos, mas a transparência, a confiança, a responsabilidade com as pessoas e o pensamento em comunidade é que determinam o modo como geramos percepção de valor.

O Brasil não é um país filantrópico por natureza, mas a crise que estamos atravessando reforçou o papel do propósito em todas as dimensões da reputação: responsabilidade, lealdade, prestígio, sustentabilidade, fidelidade, confiança e transparência. Estamos vivendo tempos de sincronicidade global. Por todo lugar, vemos desafios semelhantes, repriorização de recursos e relevância de valores humanos. Se pudermos mudar e aprender, essa é uma oportunidade de realmente instalarmos uma nova forma de construir valor.

*a sensação de aflição e pânico que se instala na população devido à grande quantidade de informações na mídia.