Marcas que importam

LEO SENRA
SÓCIO-DIRETOR EXECUTIVO

Muito se fala sobre como construir Marcas fortes. Mais do que elementos visuais ou verbais, como um nome, logo, cores, embalagem ou anúncio que facilitam o reconhecimento e diferenciação dos seus produtos pelo público em geral, construir uma Marca valiosa vai muito além. Nem toda empresa forte tem uma Marca à altura. Mas toda Marca forte é uma empresa muito sólida. Performa melhor que os seus concorrentes e tem a preferência dos consumidores, mesmo cobrando um pouco a mais por seus produtos e serviços. Icônicas, elas moldam a cultura, viram objeto de admiração e respeito.

Em agosto, a revista Fast Company publicou no site uma lista interessante sobre as 25 Marcas que importam que, na opinião da publicação, estão num momento de alta relevância. O papo nessa lista é um pouco mais profundo e abrangente. Estamos falando sobre Marcas que, além de serem altamente reconhecidas e entregarem em seus produtos a qualidade prometida, geram um impacto positivo no mundo. Apesar da nossa realidade VUCA, forçam o avanço em suas respectivas indústrias, de forma corajosa. Marcas que estão na linha de frente quando o assunto é ir muito além do seu produto e serviço, inovando e sendo disruptivas, inclusive indo contra as convicções das tradicionais escolas do mundo de negócios.

Espera-se em um ranking como esse muitas empresas com origem no mundo digital, que já nasceram disruptivas desde o seu primeiro dia. Google, Amazon, Apple, Tesla, Netflix, Airbnb e Facebook, por exemplo. O impressionante é ver Marcas já quarentonas, sessentonas e outras quase centenárias fazendo parte desta lista. Prova de que relevância e protagonismo não têm nada a ver com idade ou segmento.

O que Ikea (1972), Patagonia (1973), Starbucks (1971), Nike (1964), Adidas (1964), HBO (1949) e Disney (1923) têm em comum e como elas conseguem fazê-lo?

Jim Collins, um dos mais influentes pensadores da atualidade no mundo dos negócios diz que as empresas feitas para durar sempre se mantêm fiéis a um propósito claro e aos seus valores essenciais. O que elas fornecem é “apenas” um meio para materializar esse propósito. Logo, elas acompanham o nosso contexto de mundo de um jeito diferente.

São Marcas que estão na terceira onda do Branding. O lucro (e que lucro!) é uma mera consequência da forma como operam: criando ecossistemas de valor que são, de fato, relevantes para as pessoas, enquanto encaram com muita seriedade um propósito verdadeiro. Não é filantropia. Não é uma ação beneficente ou causa que você faz como um side business via fundação. Não é apêndice. É mudar como você opera, decide e se posiciona perante os clientes e o mercado. É botar aquilo que você acha que vale a pena no centro do seu negócio.

Propósito levado a sério muda a sua forma de fazer negócio. A Disney vem ressignificando o que é ser uma princesa desde 2014 com o filme Frozen. Histórias moldam a cultura das novas gerações. Nos dias de hoje, não dava mais para falar de princesas perfeitas que ficam à espera do príncipe encantado.

Outro exemplo é a Nike, que cria um ecossistema para que você exerça todo o seu potencial como atleta. A Starbucks, além de transformar uma commodity em experiência, vem puxando a fila das empresas americanas que brigam feio para aprovar leis a favor do casamento gay. A Patagonia, que vende roupas para esportes de aventura, prega o consumo consciente e, por isso, tem o maior centro de reparo dos Estados Unidos para dar garantia permanente aos donos dos seus produtos.

Comunicação e publicidade já não são mais suficientes para construir Marcas fortes. Todo estímulo publicitário é apenas um convite para prestarem mais atenção em você. Qual é a sua forma de fazer negócio? Como você trata colaboradores e fornecedores? De que forma você encara o seu papel na sociedade e como você está deixando um mundo melhor do que aquele que você encontrou? Todas as Marcas listadas pela Fast Company possuem respostas consistentes e relevantes a essas perguntas.

A escritora e poeta americana Maya Angelou disse: “as pessoas podem não se lembrar do que você fez ou o que você falou, mas elas jamais se esquecerão de como você as fez sentir”. Faça alguém, mesmo quem não é seu cliente, sentir-se feliz por saber que existem Marcas como a sua no mundo. O sucesso, o protagonismo e o lucro seguirão.

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