20 de maio de 2015

Ana Couto, sócia da Ana Couto Branding, estreante na categoria Design no júri do Cannes Lions 2015, tem sido uma das protagonistas dos esforços do design brasileiro de marcar presença e ampliar sua força no festival. Formada em Design, com mestrado em Comunicação Visual pelo Pratt Institute, de Nova York, especialização em branding na Kellogg School of Management e uma recém-iniciada formação executiva em Harvard, Ana acredita que é a visão estratégica que faz a diferença. Fundou a AC Branding em 1993 propondo uma discussão saudável para o Brasil: qual é o papel da marca nos resultados das empresas? É casada, tem dois filhos e divide-se entre os escritórios da empresa – na Gávea, no Rio de Janeiro, e na Vila Olímpia, em São Paulo. Como jurada em Cannes ela afirma que pretende ser analítica, coerente e impessoal.“Quero trocar, alinhar e me divertir. Vou fazer o meu melhor, já tenho muita estrada para saber o que estou fazendo.”Para Ana, o que vale prêmio é tudo aquilo que é surpreendente, simples, ousado e cria um impacto social. Ela conversou com o propmark sobre as suas expectativas em relação ao festival. Veja a seguir os principais trechos da conversa.

História

“Fui a Cannes pela primeira vez há cinco anos, quando abriu a categoria para design. Foi um esforço importante da Abedesign (Associação Brasileira de Empresas de Design) para levar as empresas e pessoas relevantes do mercado. Foi ótimo!”

Prêmios

“Falta ao designer a vontade de ganhar prêmios, que não é seu DNA. Eu diria que a gente não se preocupa com prêmios. Nada que fazemos tem isso como objetivo. Mas adoramos quando fazemos algo que ganha esse tipo de reconhecimento. Os clientes e a equipe adoram receber prêmios. Acho que é um reconhecimento de um ou vários trabalhos que realmente causam um impacto no meio. Isso é muito legal, pois a gente presta atenção nos premiados e de certa forma acaba ditando uma tendência para todo o mercado.”

Cannes

“Acho que o reposicionamento de festival de propaganda para festival de criação tem sido fantástico. Acho que o evento está sabendo evoluir com as mudanças do mercado e se mantém relevante para as pessoas. Gosto dos diferentes fóruns com pessoas com diferentes backgrounds – tanto em termos de nacionalidades quanto expertises. Vai do político ao músico e é essa mistura que produz criatividade. Não gosto do fato de ser muito cheio e não conseguir ver tudo que quero.”

Júris

“Já fui jurada em outras ocasiões, mas esse nível de responsabilidade em um festival global com tantas inscrições dá um frio na barriga. Estamos começando a julgar agora, antes de chegar lá, pelo excesso de inscrições. Vai dar muito trabalho e o papel exige coerência com a curadoria do julgamento para não ficar com caráter pessoal. Participar é rico, pricipalmente pela discussão do time que está julgando. Sou uma jurada analítica e uso como base uma sólida formação como designer que já trabalhou em diferentes contextos culturais. Estarei aberta a trocas e aos pontos de vista de cada país. Isso temos de levar em consideração, pois a cultura de cada país influência muito a estética – logo, o design. Acho que é importante também entender qual o impacto social que aquele trabalho teve em função do desafio. Design tem um poder muito grande de transformação.”

Justiça

“Com certeza deve ficar coisa boa de fora. Difícil ser imparcial e justa em um processo com tantas possibilidades.”

Expectativa

“Quero trocar, alinhar e me divertir. Vou fazer meu melhor, já tenho muita estrada para saber o que estou fazendo. Mas a pressão sempre existe.”

Troca

“Conversei com jurados anteriores, trocamos algumas ideias. É muito importante estar preparada. A dica é mostrar autoridade sem ser autoritária. Desafio!”

Impacto

“Vale prêmio o que é surpreendente, simples, ousado e cria um impacto social.”

Publicidade X Branding

“A publicidade é uma influência  presente. Vamos ver se neste ano conseguimos ter mais critérios de design e menos de comunicação.”

Desafio

“Acho que o design é uma profissão que está cada dia mais forte e tendo um impacto incrível nos negócios e na sociedade. Veja o caso da Apple, que é a marca mais valiosa no mundo pela visão de design.”

Tendência

“Investir em estratégia e negócios. Estamos cada dia mais perto das consultoria de negócio.”

Brasil

“Temos de ser cada dia mais inovadores e ousados. Nosso design ainda não tem um impacto global. Precisamos colocar mais a cara no mundo. O Brasil é cada dia mais competitivo em Design. E, de uma maneira geral, sempre foi forte em Cannes e espero que continue.”