2 de abril de 2020

Em meio à pandemia do novo coronavírus, temos sido constantemente desafiados a reestruturar os nossos processos e refletir sobre o cenário para traçar e implementar planos de ação com foco no curto prazo. Afinal, a vida não parou.

Nesse sentido, cabe algumas perguntas: como o e-commerce está sendo impactado por isso? Qual o papel do consumidor nesse contexto? Por que marcas fortes, com diferenciais claros, saem na frente? A embalagem ainda é importante no digital? Esses foram alguns dos pontos levantados por Hugo Rafael Eletério e Filipe Ozelin, diretores da agência Ana Couto, na live “Tudo é e-commerce”, pela nossa iniciativa de conteúdo TIP Insights.
Confira os principais destaques abaixo.

O impacto no e-commerce
O e-commerce surgiu no Brasil há pouco mais de 20 anos. Vinha num claro processo de amadurecimento, mas agora é como se precisasse amadurecer à força. Quando começou, estava voltado principalmente para o entretenimento – compra de música em plataformas digitais, ingressos etc. – depois vieram os serviços, principalmente relacionados a turismo. Caminhávamos para um fortalecimento de bens duráveis e bens não duráveis, entrando agora no cenário dos perecíveis.

No geral, vemos três tipos de situação envolvendo o papel da tecnologia no e-commerce hoje: empresas com e-commerce já de pé, mas que precisam expandir a atuação; empresas que funcionavam digitalmente, mas a experiência ainda era negligenciada – o e-commerce não era a principal fonte de faturamento – e as empresas que não estavam no digital e agora precisam entender como entrar lá para construir algo de valor.
Marcas precisarão, hoje, dar conta de uma experiência ainda mais relevante para seus usuários porque, sendo boa ou ruim, os impactos serão visíveis mesmo no cenário pós-pandemia e ditarão o futuro do negócio.

Diferenciais de marca
Estamos vivenciando um “tsunami de conteúdo”. Em todo lugar tem uma live acontecendo, guias de como ser produtivo no home office, mas com atenção à saúde mental, e marcas entrando nas nossas casas oferecendo produtos e soluções. O ponto é que, nesse bombardeio de conteúdo, é fundamental ter clareza sobre quais são os seus diferenciais de marca e saber trabalhá-los de forma assertiva. Como o seu produto ou serviço vai impactar e fazer a diferença na vida do seu usuário?

A aposta é que, como consumidores, vamos passar a ser um pouco mais seletivos, vamos nos dedicar a experiências de compra que têm relevância para a gente, talvez explorar mais mercados locais, prestar mais atenção ao ecossistema e como determinada marca lida com essa situação na esfera corporativa. O ponto de atenção é: consumidores mais atentos serão mais exigentes em relação ao que escolhem comprar e marcas com uma personalidade bem definida, coerente e humana saem na frente.

Construção da cultura de uma empresa
Por um lado, estamos distantes. Por outro, com a ressalva de que não são todas as pessoas que podem trabalhar em esquema de home office, essa é uma oportunidade única para as empresas perceberem que estão disseminadas dentro das casas dos colaboradores. O espaço da casa passa a se associar ao local de trabalho e, para além da necessidade de equilibrar horários e acúmulo de tarefas, começam a entrar aí mais fatores humanos na construção de cultura. Passamos a conhecer as pessoas com as quais trabalhamos em outros níveis. E empresas passam também a entender o que é essencial e o que, talvez, precisará ser revisto quando atravessarmos essa quarentena.

A forma de construir cultura nas empresas vai mudar. Não dá para controlar o espaço de trabalho e impor os valores do ambiente corporativo. O ponto é entender como a empresa será vivenciada pelas pessoas no dia a dia delas, em outros ambientes, em uma situação mais pulverizada. A forma de trabalho já mudou. Você está acompanhando e fazendo algo a respeito?

Chegamos à era da coopetição
O termo não é exatamente novo, mas agora vem com uma força impressionante. A coopetição fala da atitude de colaboração competitiva. Se marcas com um propósito forte impactam positivamente o mundo, estamos vendo como esse impacto pode vir também por meio de parcerias. Marcas grandes se associando a marcas menores, mais locais.

Existem muitas oportunidades para construir relevância em tempos conturbados. Estamos agora construindo o “novo normal” e o futuro do digital. Como o seu ecossistema pode se tornar o seu maior aliado nessa história?

E a embalagem, como fica?
Precisamos discutir desde já o papel da embalagem quando boa parte das nossas interações se dá através de uma tela. Na perspectiva do varejo, se o seu principal ponto de venda agora é virtual, como garantir que o seu usuário vai ter as informações necessárias para fazer a melhor escolha? Por parte da marca e do design, como organizar todas as informações necessárias para que o usuário tenha a experiência completa de compra, mesmo por meio de uma embalagem virtual. Em diversas categorias, inclusive, a embalagem cumpre um papel essencial. Esse cenário vai mudar muito como a gente cria e expõe os nossos produtos.

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O foco é no curto prazo e ainda não sabemos o que vai e o fica desse período de paralização relativa do mundo. Há muitas mudanças em curso e, em breve, vamos retomar nossos traços de normalidade, com interação face a face, nos reconectando uns com os outros. Por ora, estamos hoje sendo colocados à prova para criarmos novas formas de trabalho, produtos e serviços. Entenda: o que se faz hoje terá um impacto grande na narrativa das empresas de forma geral quando atravessarmos a neblina. Vamos ligar o farol?

Assista aqui à live