20 de maio de 2020

Uma conversa sobre a grande conquista do Novo Capitalismo, superar a ideia da polarização e construir relações ganha-ganha.

Apesar das já percebidas tendências ao capitalismo consciente e dos investimentos cada vez mais orientados pela necessidade de causar impacto positivo, de acordo com as diretrizes do ESG (Environmental, social and corporate governance), ainda precisamos superar contradições do nosso mundo, como práticas insustentáveis e consumo desenfreado. Na conversa dessa semana na TIP Insights, convidamos o Eduardo Sirotsky, que é fundador e CEO da EB Capital e sócio da e.Bricks Ventures, para falar sobre os caminhos do Novo Capitalismo em uma perspectiva do mercado de investimentos frente ao cenário atual.

Construir valor é difícil, ainda mais no contexto em que vivemos, especialmente no Brasil. Falamos sobre aspectos culturais dos nossos principais gaps estruturais e do aproveitamento das oportunidades do momento, além das reflexões acerca do falso dilema entre propósito e lucro. Ambos precisam andar juntos e essa visão é fundamental para destravarmos a construção de valor em nosso país. Aqui estão os principais tópicos para levar da conversa:

Nossos gaps estruturais

O contexto atual voltou nossos olhares para os serviços mais essenciais, aqueles que não podem parar apesar dos desafios que estamos atravessando enquanto país. A pandemia evidenciou e é agravada por nossos gaps estruturais na saúde, saneamento e educação, principalmente. Para muitos brasileiros, as necessidades mais básicas estão em jogo.

Ao mesmo tempo, as novas configurações aceleram tendências positivas em relação à digitalização de nossos processos de trabalho e serviços, com ganhos em eficiência e a maturidade de uma nova consciência sobre nossas escolhas enquanto sociedade. Esse distanciamento entre realidades é uma marca do contexto atual.

O Novo Capitalismo

Outra tendência que marca este momento é o fortalecimento de um “novo capitalismo”, um tema que vem ganhando força nos últimos anos e que agora se faz inadiável, ao menos para a agenda de nossas reflexões e aprendizados.

Imagem 1: Durante a transmissão da conversa, abrimos espaços de debate e interação com nosso público inscrito e perguntamos, de 0 a 5, o quanto as empresas em que eles trabalham estão preparadas para o Novo Capitalismo.

 

Estamos falando de mudanças importantes, que transformam negócios autocentrados, que buscam crescimento exponencial e a todo custo, a partir da busca por uma prosperidade mais sustentável, em benefício de todo o ecossistema e combinando resultados econômicos com impactos positivos para a sociedade a para o meio ambiente. 

Imagem 2: As principais distinções entre o Velho e o Novo Capitalismo.

Os falsos dilemas

Para construirmos novos paradigmas em nossas relações econômicas, precisamos superar uma série de os falsos dilemas e contradições que fazem parte de nossos aspectos culturais e expectativas. Precisamos sair do mindset polarizador “lucro ou propósito” e construir mais relações ganha-ganha. 

Lucro e propósito devem caminhar juntos. Para destravar a geração de valor, precisamos compreender os espaços de investimento com a mente mais aberta a novas oportunidades, combinando o que temos de mais valioso para entregar resultado com impacto positivo para o mundo, em todas as esferas.

Mais impacto, prosperidade e colaboração

Para o Brasil avançar nesta direção e construir mais valor, precisamos atuar frente a três grandes desafios: desenvolver nossa visão de longo prazo, enfrentar nossos gaps estruturais e utilizar esse “novo normal da eficiência” não só para criar prosperidade, mas para fazermos melhor e com mais impacto.

Essa crise evidenciou a fragilidade de apostarmos cadeias inteiras de produção em um único país, gerando um alerta para práticas centralizadoras e aspectos monopolistas. Nesse sentido, a tendência é nos tornarmos menos globais e mais cooperativos. A cooperação se faz mais fundamental que nunca, porque um ecossistema se forma de skills complementares, da combinação de diferentes atores na construção coletiva. Ninguém consegue congregar todas as capacidades para vencer nesse cenário, a colaboração é mandatória.

 

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O grau de incerteza que hoje nos atinge causa profundas transformações. Já não sabemos o quanto nossos trabalhos continuarão sendo relevantes como os conhecemos, como serão essas relações no futuro próximo ou mesmo quais empresas irão sobreviver a este momento. É provável que estejamos mais conscientes do ponto de vista de consumo, a respeito do que é realmente essencial e do que parece supérfluo ou exagerado. 

Em nossas relações de mercado, sabemos que a Onda Um do Branding, que diz respeito ao lucro de nossos negócios, é fundamental para a sobrevivência. Mas, como disse o Duda Sirotsky na nossa conversa sobre construção de valor, essa é uma Onda básica, necessária e insuficiente. Como Brasil e como sociedade, temos a oportunidade de mostrar nosso diferencial se pudermos encarar nossos problemas de frente, em cooperação dos setores público e privado, para não desperdiçarmos energias na expectativa de um futuro desconhecido e, sim, catalisarmos tudo que nos aproxima de construí-lo em novas direções.