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BRASILIDADE, COMBUSTÍVEL PARA ECONOMIA CRIATIVA NO MUNDO

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27 de May de 2022

A criatividade é uma das habilidades do século e a chave para os desafios da atualidade. Associada à economia, é fonte de desenvolvimento socioeconômico, criação de empregos e inovação tecnológica. Quanto mais a tecnologia avança, mais a criatividade humana se faz valiosa. Segundo o Fórum Econômico Mundial, até 2025 a automação irá eliminar 85 milhões de empregos no mundo enquanto a nova divisão de trabalho, entre máquinas, humanos e algoritmos irá criar 97 milhões. Mais do que nunca, o olhar criativo, que se alimenta do mundo para metabolizar novas ideias, torna-se necessário. 

E, no quesito criatividade, o brasileiro brilha.  

Temos criatividade no DNA. Nascemos do sincretismo cultural e encontramos a nossa autenticidade na antropofagia. Em um contexto de escassez, recorremos à criatividade como resposta aos nossos problemas. Somos o país da gambiarra e da cultura “faça do seu jeito mesmo”.  

Não à toa, os primeiros insights que temos da pesquisa Branding Brasil, uma iniciativa que estamos lançando em junho, tem o objetivo de investigar como o brasileiro vê o valor do Brasil, aponta que a criatividade é a característica que reconhecemos como fortaleza. “Brasileiro é criativo, faz do limão uma limonada”. Aparece tanto nas coisas mais simples quanto nas grandiosas: são apontados como sinônimos de brasilidade as Havaianas reparadas com um prego (gambiarra) e a inventividade do nosso carnaval. 

A qualidade criativa também é o que impulsiona o nosso empreendedorismo e inovação.  Só no ano passado, o Brasil registrou a abertura de 3,9 milhões de negócios. A Economia Criativa, que abrange os setores de Consumo, Mídia, Cultura e Tecnologia, representa hoje quase 3% do nosso PIB e movimenta, em média, R$ 171,5 bilhões por ano na economia, gera 6,6 milhões de empregos e é composta por mais de 140 milhões de empresas.  

Hoje, o Brasil concentra 77% das startups e 70% dos investimentos da América Latina – região que, atualmente, tem o crescimento mais acelerado em volume de capital de risco no mundo -, já conta com quase 30 unicórnios e está entre os 10 países que mais produzem negócios bilionários, além de exportar inovação com empresas jovens como iFood, Nubank, Quinto Andar, Gympass, Loft e Ebanx. 

Este cenário sinaliza a potência que temos em mãos, quando nosso DNA criativo e uma visão de negócio se encontram. Ao mesmo tempo em que ficamos inspirados, também nos perguntamos: se a criatividade é força vital para economia global e um aspecto tão forte da nossa cultura, a Marca Brasil não deveria ser mais fortemente associada a isso? Até quando seremos mais reconhecidos pelos nossos commodities do que pela nossa propriedade intelectual?  

Para se ter uma ideia desse descompasso, Austrália e Nova Zelândia são, junto com os EUA, vistas como as nações que têm o melhor ambiente para criação e manutenção de novos negócios ligados à indústria criativa, enquanto o Brasil fica em 28º lugar. Poderíamos estar melhor posicionados. 

Nós, brasileiros, já identificamos a criatividade com um ativo valioso da nossa identidade e nosso diferencial. Mas será que não deveria estar de forma mais intencional nos incentivos públicos e privados para influenciarmos o contexto global de negócios? Com tantos problemas complexos a serem resolvidos no Brasil e no mundo, será que não deveríamos investir mais na nossa capacidade criativa para encontrar soluções que ninguém mais vê? 

A antropofagia, marca da brasilidade, pode servir de inspiração. Pois, como dizia Caetano Veloso, o Brasil precisa saber comer e metabolizar. A intenção de metabolizar para criar algo original que possa ser combustível para a Economia Criativa no mundo. Afinal de contas, SOMOS ANTROPÓFAGOS!