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TRANSFORMANDO DESPERDÍCIO EM VALOR

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21 de dezembro de 2020

A essa altura, acredito que há um sentimento compartilhado que, apesar dos desafios, todos aprendemos bastante e tiramos lições valiosas de 2020. Da minha parte, quero aqui abordar alguns pontos que nos fizeram evoluir enquanto negócio, colocando em prática o nosso propósito, de trazer mais valor para nossos clientes, para pessoas e para o mundo.

Na última série da TIP Insights do ano, iniciativa de conteúdo da agência Ana Couto e da Laje, convidamos lideranças do mercado para falar sobre como podemos transformar desperdício em valor. Para cada encontro com essas lideranças tão inspiradoras, Ricardo Dias (Adventures, Inc. e ex-VP de marketing da Ambev), Viviane Martins (CEO Falconi), Ana Fontes (Fundadora da Rede Mulher Empreendedora) e Fiamma Zarife (CEO Twitter), trouxemos perspectivas valiosas. O primeiro passo é ver valor no que já conquistamos, reconhecer as mudanças. O segundo é entender os detratores para evoluir. Entender onde e de que forma precisamos trabalhar o que hoje é injustificável. Pode ser tanto em relação a pessoas, processos, forma de produzir, vender ou consumir.

Desses encontros, extraímos algumas palavras-chave importantes que devem servir como guias para construirmos valor nos próximos anos, não importa o desafio que vem pela frente.

A primeira delas é “coragem”. Coragem para testarmos novas ideias, de fazer diferente, de arriscar, para errar e aprender com o erro. Foi um ano em que a coragem tinha que estar em tudo e em todos.

O segundo ponto relevante é sobre a “perenidade”, que deve ser um dos principais objetivos de uma organização: crescer e se perenizar, deixar legados e reescrever as regras do jogo. Firmar o compromisso de sairmos melhores.

Depois, veio a ideia do “coletivo”. Entendemos mais do que nunca a potência de nos conectarmos genuinamente com os nossos times, com os nossos parceiros, clientes, fornecedores e audiência. É por meio dessas conexões que multiplicamos os nossos propósitos e fazemos eles reverberarem, com impacto e capilaridade. Aqui a visão de ecossistema ficou evidente e reforçada.

Por fim, chegamos à “evolução”. Marcas que fazem a diferença deixaram a mentalidade exponencial de lado para adotar o modus operandi evolutivo. Evoluir como organização é conjugar todos os pontos falados acima com consistência para crescer e melhorar em ciclos iterativos, sem linha de chegada; um processo contínuo.

Com isso em mente, vamos então aos principais aprendizados para transformar desperdício em valor:

O jogo é infinito

A ideia de Simon Sinek serviu como uma inspiração fundamental de como estamos na visão de construção de valor, que é o jogo se manter relevante. O jogo infinito tem em seu core a mentalidade evolutiva e coloca o fechamento de metas do trimestre, ou de que a concorrência é nosso maior problema, no seu devido lugar. Quando as organizações estão focadas no curto prazo, o foco está em ganhar a partida, mas não garante formas de se manterem relevantes e fortes.

Em um ano que todas as metas e orçamentos caíram por terra, nos forçamos a fazer gestão iterativa, aprendendo a cada semana como poderíamos responder ao contexto. Foi o grande teste de antifragilidade, momento de contar com relações fortes do time, de entender que, no novo jogo, não tínhamos todas as respostas, nem quem ou o que poderia nos tirar do jogo. As regras nunca foram tão flexíveis e tivemos que responder a contextos específicos. O objetivo foi permanecer relevante e agir de forma alinhada ao propósito: como podemos colocar nosso maior talento a serviço do mundo? Algumas empresas fizeram isso muito bem. Como mostrou a Ana Fontes, a Rede Mulher Empreendedora teve recorde de captação; na live com o Ricardo Dias, vimos que a Ambev se mostrou uma empresa de impacto social e teve sua Marca como uma das mais lembradas no contexto do ano.

Dados são o melhor antídoto do medo

Você acreditaria se alguém dissesse a você que o mundo está, hoje, muito melhor do que estava antes? Ficamos tão presos aos nossos vieses cognitivos e a uma visão de mundo pessimista que deixamos de olhar para os fatos e os dados que mostram que, realmente, já evoluímos muito enquanto humanidade. Claro, há muito o que fazer ainda, por exemplo, para garantir diversidade e inclusão reais no ambiente de trabalho, resolver questões ambientais que assolam o mundo e reduzir a desigualdade econômica. Mas estamos avançando a passos largos. Olhar para os avanços nos faz mais otimistas e traz mais energia para continuarmos evoluindo. Vale conferir o livro Factfulness e mudar o seu olhar para as questões do mundo.

Para perceber e construir a evolução, precisamos nos basear em fatos e dados. Assim, medimos melhor as conquistas, encontramos respostas inusitadas e sabemos onde, realmente, precisamos dar o gás. Mesmo nesse ano atípico, não podemos perder de vista que o mundo está evoluindo. Na conversa com a Viviane Martins, vimos que há uma mudança na percepção de valor: do resultado financeiro para uma construção mais ampla e sistêmica. O ESG nunca teve tanta força e relevância como agora. Com a Fiamma Zarife, falamos de pautas sociais que saem da rede e ganham o mundo. E que, apesar dos desafios, redes sociais foram fundamentais nesse ano para reforçar os vínculos tanto entre as pessoas quanto entre organizações e seu público.

Temos que reconhecer o nosso valor

No Brasil, temos, muitos desafios. E é fundamental reconhecermos nossos problemas para podermos resolvê-los. Mas, ao mesmo tempo, temos aqui muito valor que pode nos impulsionar e acelerar. Quando construímos pontos em comum do que nos orgulha, podemos também construir consensos dos nossos detratores como país. Muitos tópicos importantes que vieram à tona nesse ano, como desigualdade, educação e saúde.

Durante os encontros da TIP Insights, perguntamos ao público quais seriam os atributos da “marca” Brasil que as pessoas mais valorizam. Recebemos dezenas de respostas. Palavras como criatividade, diversidade, afeto, cultura, otimismo e inovação se destacam, mas a variedade de atributos que aparecem associados ao Brasil é imensa.

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Foram conversas inspiradoras, com muitos aprendizados, perguntas instigantes e aproveito para agradecer a presença de todos que estiveram com a gente ao vivo. Quem perdeu, pode conferir no nosso canal do YouTube todos os talks. E, para continuar a conversa, lançaremos em breve um exercício interativo onde você pode avaliar como está a geração de valor da sua organização no framework das Ondas do Branding. Com esta ação, compartilhamos a nossa metodologia e a nossa visão de que Branding é mais do que estratégia de marca – é gerar e gerir valor com impacto no ecossistema a partir de um propósito.

Foi com um propósito muito claro, por exemplo, que o casal Uğur Şahin e Özlem Türeci, eleitos pelo Financial Times como personalidades do ano, desenvolveram a vacina para a covid-19 em menos de um ano. De origem turca, juntos, fundaram a empresa BioNTec que, hoje, vale mais que o Deutsche Bank. Passaram anos desenvolvendo uma pesquisa para a cura do câncer e, frente aos desafios de 2020, pivotaram a organização para produzir uma vacina para a covid-19. O casal e seus colaboradores – que vêm de toda parte do mundo – fazem da BioNTech um exemplo de evolução e coragem. A Pfizer trouxe a musculatura necessária para os testes, produção e distribuição, mas a peça fundamental foi a visão de inovação com propósito da BioNTech, com alinhamento de cultura e a agilidade de uma startup.

Sim, como falei antes, tivemos muitos desafios este ano. Mas temos ainda um futuro pela frente e cabe a nós transformá-lo para ser o melhor possível. Afinal, o jogo é infinito. E, quanto antes aprendermos a transformar desperdício em valor, mais iremos evoluir nossas organizações, trazendo relevância para as pessoas e para o mundo. Afinal de contas, carregamos a bandeira do otimismo! E é isso que desejamos a todos que estiveram com a gente nessa nova geração de valor. Como diz o médico e empresário Uğur Şahin, “nada de bom acontece, a menos que você faça acontecer”.

Um otimista 2021!